Organização:

Dennis Radünz

Tradução:

Lia Carmen Puff e Dennis Radünz

ISBN 978-85-87648-56-X 

56 páginas, 2004

HISTÓRIA NATURAL DE SONHOS

O naturalista Johann Friedrich Theodor Müller (1822-1897), Fritz Müller, migrou da Turíngia (atualmente, Estado Livre da Turíngia, Alemanha) à Colônia Blumenau em 1852, onde, em 1859, escreveu 12 poemas sobre a fauna e a flora de Santa Catarina para alfabetizar suas nove filhas. Com tradução de Lia Carmen Puff (doutora em língua alemã pela Universidad Complutense de Madrid) e do escritor Dennis Radünz, "História natural de sonhos / Naturgeschichte der Träume" (um título atribuído pelo organizador) foi lançado em 2004, pelo selo Nauemblu, com ilustrações da artista Jandira Lorenz, na técnica de arte popular Wycinanki, e desenho gráfico de Vanessa Schultz. 

O livro recebeu, em 2005, o selo "Altamente recomendável - categoria tradução", concedido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) / International Board on Books for Young People (IBBY).

EGLÊ MALHEIROS

no Diário Catarinense, em crônica de 6 de outubro de 2004:   

    (...) "Importante e belo. Um livro que é um objeto de arte...

Uma alegria para os olhos e um refrigério para a mente". 

 

SILVEIRA DE SOUZA, João Paulo

no livro "Vias paralelas" (Florianópolis: ACL, 2008)  (p.96-97).

"Os sonhos da natureza de Fritz Müller" 

      (...) entrechocam-se nos poemas de Fritz Müller as vicissitudes

de pessoas, plantas e bichos. O mamoeiro que se defronta com

a tamareira, a gaivota fisgada por um menino, as aventuras

ou desventuras do pica-pau, do cavalo marinho, da paca, do vaga-lume, da água-viva. Mas é preciso que se diga que nada é chocante

ou agressivo, tudo é entrelaçado com o amor paterno e a isenção

e serenidade do sábio conhecedor das leis do mundo natural, contendo momentos descritivos de envolvente força lírica. E aí

é preciso que se louve o trabalho dos tradutores de História Natural de Sonhos.  Se nem sempre foi possível seguir à risca, tanto a métrica como o jogo de rimas dos poemas originais, Lia Carmen Puff e Dennis Radünz souberam recriar uma linguagem bastante aproximada

da oiginal, em muitos momentos sensível e expressiva (...)

      

 

ARTIGOS ACADÊMICOS SOBRE POEMAS INFANTIS DE FRITZ 

 

 

SOUZA, Flavia Pacheco Alves de; SANTOS, Andrea Paula dos - Poemas do naturalista Fritz Müller na educação ambiental. Texto apresentado no III Congresso Nacional de Educação Ambiental  e V Encontro Nordestino de Biogeografia. III CNEA e ENBio, João Pessoa, 2013.

 

SOUZA, Flavia Pacheco Alves de; KAMENSKY, Andrea Paula dos Santos Oliveira; FONTES, Luiz Roberto - Os poemas de Fritz Müller como fonte de inspiração para estudos em história da ciência e educação ambiental: linguagens e interdisciplinaridade.

Revista História da Ciência e Ensino: construindo interfaces. v. 18, 2018. Revista eletrônica da PUC-SP. 

 

 

 

REFERÊNCIAS NA IMPRENSA  (principais)

BRUGNAGO, Pamyle - Versos a carregar / Ninho de histórias (publicação do poema "Formigas"/"Ameisen" e link de áudio)  

Jornal de Santa Catarina, Blumenau, 31 de agosto de 2012. 

 

BUSS, Deluana – Prazer de ler e olhar. Jornal A Notícia, Joinville, 7 de dezembro de 2004.

LIZ, Romi de – A poética natural da vida. Diário Catarinense, Florianópolis, 7 de dezembro de 2004.

SCHMITZ, Paulo Clóvis –  Fritz Müller, o poeta escondido

Jornal O Estado, Florianópolis, 4 de agosto de 2004.

poema
Original de Fritz Müller (1859)

SPECHT

 

 

„Guten Tag, Herr Specht! So fleissig wieder?

Wie läufst du so flink, Baum auf, Baum nieder!

Und klopfst und hämmerst aller Ecken,

Wo sich ein Würmchen möchte verstecken!”

 

Jetzt hat er gesucht von oben bis unten,

Hat nichts für seinen Schnabel gefunden,

Doch lässt er sich das nicht verdriessen:

„Ohne Mühe kann man nichts geniessen!”

 

Er flattert kreischend zum nächsten Stamm,

Und fängt sein Werk von Neuem an,

Und klettert wieder

Auf und nieder

Und sucht und pickt; -

Es schwankt und nickt,

Der rothe Schopf

Auf seinem Kopf. -

 

Jetzt horch, jetzt horch, da klingt es so hohl;

Da stecken viel Käfer und Maden wohl.

Da sitzt er still und klammert sich fest,

Den Schwanz zur Stütze angepresst,

Und hackt und hämmert mit Gewalt,

Dass es laut erschallt

Weit durch den Wald.

 

Nun hat er ein Loch durch die Rinde gebrochen; 

Die Käfer erschrecken von all dem Pochen,

Und kommem eilig herausgekrocken;

Und kaum kommt einer hervor geguckt,

Hat ihn der Specht geschwind verschluckt.

PICA-PAU

 

 

“Bom dia, seu pica-pau! De novo assim animado?

Como andas rápido, árvore acima, árvore ao lado!

E em todos os cantos martelas e dás batidinhas,

onde se escondem as muitas larvinhas!”

 

Agora, de cima a baixo procurou

e nada para o seu bico encontrou;

mas ele não se deixa abater:

“Sem esforço nada vai acontecer!”

 

Batendo as asas voa ao próximo tronco

e recomeça o seu trabalho no pau oco,

e galga adiante,

como um infante,

e procura e bica;

balança e se estica

e o vermelho topete

na cabeça reflete.

 

Escute agora, escute, ali soa oco;

deve haver besouros e larvas no toco.

Então ele para e agarra-se firme,

o rabo peralta com apuro comprime,

e bica e martela com toda violência

e a floresta inteira escuta a potência.

 

Assim, rompe na casca um buraco,

assustando com barulho os bichacos,

que, depressa, saem fracos;

e mal um põe a cabeça de fora,

o pica-pau – de pronto – o devora.

"Specht" lido por Tula / Gertrud Mayr
(1926-2018), bisneta de Fritz Müller.